terça-feira, 28 de junho de 2011

um pedaço especial

nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

domingo, 12 de junho de 2011

DRUMMOND

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

sábado, 4 de junho de 2011

de um grande amigo

Oltramarindo

Saio pensando em maravilhas modernas
e esqueço
o simples
O simples período
que era uma criança e que a maldade
das coisas não existiam
criança que corre descalça e não sabe
não sabe
que vai crescer e que o mundo
vai mudá-la - deixá-la - na modernidade
do dia-a-dia
como sempre notavamos nos velhos
velhos pais
que lutam diariamente pelos seus filhos
e
que quando crescem levam consigo maldades
que eram visiveis no rosto de quem amamos
mas essa maldade um dia
sonho
vai acabar
não sei se para todos mas para mim
na verdade
para mim
nunca existirá
enquanto acreditar nas pessoas como elas são
e as pessoas
ah sim!
as pessoas poderiam diariamente ser crianças no seu interior