domingo, 18 de dezembro de 2011

Saber que devemos abrir a cabeça pra ver tudo, pra ouvir tudo...

trata-se de uma passagem, ok? passagem, passa, como tudo.
E sempre haverá aprendizado, porque estamos aqui para isso.
Ouça as outras opiniões, o mundo não é a sua casa, oras!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Horizontal

Naquele dia, o homem rosnava, a chuva caía, o casal dividia a 537ª gota de coca-cola e a única coisa que eu sentia era aquela beterraba doce se misturando com a mistura de água e grama, em que o alface se encaixa.  Minto. Sentia repugno e fome, se for o que se pode sentir. Chovia muito e queria achar uma saída cabível. Corri, corri muito, como quem está de fones para o mundo, e eu só via o carro esbarrando água no homem da rua.

sábado, 20 de agosto de 2011

"Um repertório de desculpas pode ir sempre mais longe do que uma verdade, quando ainda não se descobriu que querer enfrentar tudo-ao-mesmo-tempo-o-tempo-inteiro é quase a mesma coisa que não enfrentar. Minha coleção de argumentos para ir avolumava-se na mesma medida em que crescia a lista de motivos para ficar. Mil razões apontando para a porta, mil e uma para o sofá, e eu ali, deitado no colo da dúvida, exausto por ter que amadurecer tanto em tão pouco tempo."
(Luciana Lorens Braga in: Há cores e acordes. Ofício das Palavras, Ed., p. 28-29)

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

RESET

As almofadas parecem que já sintonizam com o sofá novamente, porque assim as vejo.
Uma foto, assim memorizo como consigo enxergá-las assim.
Mas e se até as fotos mudam de forma e de cor e de tudo?
Paciência.
Tomara que essa harmonia se estique. 
Se não, busco novamente.

Com cada coisa em seu lugar.
Nada como um dia feliz pra resetar tudo que há de ruim.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Escrever é desabafar de si pra si mesmo com toda inconsciência consciente piscando dentro de ti. Refugiar-se é uma forma boa de se defender apoiado em alguma coisa invisível que finge nos sustentar. Somos fracos num mundo de fortes. A buzina atordoa, os sapatos se pisam e o movimento distrai. Parece cenário tudo aquilo que se sente e o chão que se pisa é a vida real. Quando algo te borra, chora. Ora. Implora. Nada mais importa. O céu vira chão e se fica no ar sem flutuar. Sufocante, mas a fortaleza da vida é senti-la intensa. Agradeça ou refugia-te. Como eu.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Desejos e vontades já enterradas vem dormir comigo.
Nada daquela programação agora faz sentido.
Sim, já tinha sido avisada. Me largue!
Minha boneca de lata se perdeu.
E a lata pode enferrujar se eu não fugir do mar, mas eu quero ficar.
Minhas pernas já foram.
Elas não tem com que se preocupar.

Olho pro céu.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Depoimento Simples

Aos meus amigos.

Nada mais reconfortante que um amigo.
Amiguear é como jogar-se no sofá macio de couro após um dia difícil.
A solidão tem lá suas vantagens, por vezes.
Mas a vida só não vale nada.
E aos meus amigos eu brindo pela vida que me fazem enxergar. 
Eu me dou por vocês.
Não estou de firulas, eu amo mesmo. Tá?

sábado, 16 de julho de 2011

Lástima

Fique atento para não querer a perfeição.
As pessoas são tão obscuras como uma noite e uma bola preta.
Não se enxerga sobreposições.
Talvez a mudança que conseguiu foi em vão.
Exigir não me compete, nem a mim. É o que tento.
E de teus amigos, aceite. Quando se nega uma oferta, é porque um abismo passou a estar ali. E quem não quer se ajudar, boa sorte.
Não veja egoísmo.
Fugacidade não significa velocidade pra guiar tua vida.
Mas estar atento é bom e viver, melhor.
E a ajuda só é interessante quando saudável.
Desculpa.

terça-feira, 28 de junho de 2011

um pedaço especial

nada teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.

domingo, 12 de junho de 2011

DRUMMOND

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

sábado, 4 de junho de 2011

de um grande amigo

Oltramarindo

Saio pensando em maravilhas modernas
e esqueço
o simples
O simples período
que era uma criança e que a maldade
das coisas não existiam
criança que corre descalça e não sabe
não sabe
que vai crescer e que o mundo
vai mudá-la - deixá-la - na modernidade
do dia-a-dia
como sempre notavamos nos velhos
velhos pais
que lutam diariamente pelos seus filhos
e
que quando crescem levam consigo maldades
que eram visiveis no rosto de quem amamos
mas essa maldade um dia
sonho
vai acabar
não sei se para todos mas para mim
na verdade
para mim
nunca existirá
enquanto acreditar nas pessoas como elas são
e as pessoas
ah sim!
as pessoas poderiam diariamente ser crianças no seu interior

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Santo Dia

Quero a vida e o respeito.
Ela é minha.
Deixem-me na felicidade estúpida de viver
E respirar aquilo que chamo vivo.
O real pode não ser mais
Agora ou agora
E se algum dia perceberes isso,
Bem-vindo.
Bem vivo.
Bem, viva.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A ENTREGA


Estranho, mesmo.
Vinho à tona,
perde-se a cabeça.
Por mais que não pareça,
o momento é oportuno.

Aumenta a música,
Me isola do mundo lá fora.
Assim, tudo parece mais fácil.
A culpa não é sua!
São os outros que preferem a outra moral.
A música caminha nos espaços dentro de ti.
Vibra.
E o sangue agita mas é fraco.
Pra que existir moral se cada um segue a sua?
Me dou.

O importante é fazê-lo.
O vinho esquenta o fruto até a última gota.
E o pH é muito baixo.
                                    

segunda-feira, 9 de maio de 2011

ILUSIONISTA


O sertão não vai virar mar.
?!
Você não pode mudar o mundo,
apesar de ele mudar você todos os dias
[se é que vive o mundo].
O brasileiro não vai se revolucionar.
?!
Você não pode mudar as pessoas,
e sim, a si mesmo.
[desista delas].
Não, o petróleo não deixará de ser cobiçado.
?!
Se deixar, a cobiça se transfigurará na água,
Nos diamantes e sim, até em Saturno.
Esse anel ainda não entrou nos seus dedos, mundo!
Infinita imperfeição.
Vago futuro previsto.
[se é que enxerga esse futuro]
[se é que enxerga o mundo].

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Culto à Bengala

Absorto com a vida,
Segue.
Segue sem compreender,
A lógica do herege da vida,
que enxerga a ilogicidade do mundo,
pronto para julgar o infinito.
Pegue a bengala!
Parasita nela todo peso
Da felicidade mórbida de um cego.
Aí, a consciência do fechar do círculo,
Do contorno maldito do círculo,
Não pingará como brasa
Nos olhos secos dos que enxergam o caos.

terça-feira, 26 de abril de 2011

segunda-feira, 25 de abril de 2011

C.Buarque, Budapeste

"...
Eu era um jovem louro e saudável quando adentrei a baía de Guanabara, errei pelas ruas do Rio de Janeiro e conheci Teresa. Ao ouvir cantar Teresa, caí de amores pelo seu idioma, e após três meses embatucado, senti que tinha a história do alemão na ponta dos dedos. A escrita me saía espontânea, num ritmo que não era o meu, e foi na batata da perna de Teresa que escrevi as primeiras palavras na língua nativa. No princípio ela até gostou, ficou lisonjeada quando eu lhe disse que estava escrevendo um livro nela. Depois deu para ter ciúme, deu para me recusar seu corpo, disse que eu só a procurava a fim de escrever nela, e o livro já ia pelo sétimo capítulo quando ela me abandonou. Sem ela, perdi o fio do novelo, voltei ao prefácio, meu conhecimento da língua regrediu, pensei até em largar tudo e ir embora para Hamburgo. Passava os dias catatônico diante de uma folha de papel em branco, eu tinha me viciado em Teresa.

Experimentei escrever alguma coisa em mim mesmo, mas não era tão bom, então fui a Copacabana procurar as putas. Pagava para escrever nelas, e talvez lhes pagasse além do devido, pois elas simulavam orgasmos que me roubavam toda a concentração. Toquei na casa de Teresa, estava casada, chorei, ela me deu a mão, permitiu que eu escrevesse umas breves palavras enquanto o marido não vinha. Passei a assediar as estudantes, que às vezes me deixavam escrever nas suas blusas, depois na dobra do braço, onde sentiam cócegas, depois na saia, nas coxas. E elas mostravam esses escritos às colegas, que muito os apreciavam, e subiam ao meu apartamento e me pediam que escrevesse o livro na cara delas, no pescoço, depois despiam a blusa e me ofereciam os seios, a barriga e as costas. E davam a ler meus escritos a novas colegas, que subiam ao meu apartamento e me imploravam para arrancar suas calcinhas, e o negro das minhas letras reluzia em suas nádegas rosadas.

Moças entravam e saíam da minha vida, e meu livro se dispersava por aí, cada capítulo a voar para um lado. Foi quando apareceu aquela que se deitou em minha cama e me ensinou a escrever de trás para diante. Zelosa dos meus escritos, só ela os sabia ler, mirando-se no espelho, e de noite apagava o que de dia fora escrito, para que eu jamais cessasse de escrever meu livro nela. E engravidou de mim, e na sua barriga o livro foi ganhando novas formas, e foram dias e noites sem pausa, sem comer um sanduíche, trancado no quartinho da agência, até que eu cunhasse, no limite das forças, a frase final: e a mulher amada, cujo leite eu já sorvera, me fez beber da água com que havia lavado sua blusa."

AMOR

Quando vejo as coisas do mundo,
esqueço de ver o mundo que há nas coisas.
O simples se torna completo,
e o completo não existe.
Porque o imperfeito se completa
na simplicidade de um sorriso.

sábado, 23 de abril de 2011

Apesar de termos opinões convictas,
de achar que temos opiniões convictas,
somos hipócritas em dizer oi,
quando se quer dizer tchau.
Mas se contradizer significa sentir-se humano.
Pobre o homem que teima em respeitar suas opiniões.

sexta-feira, 22 de abril de 2011


"Carece de ter coragem..." (feira do livro - Porto Alegre 2010)


                                                 Guimarães Rosa

quarta-feira, 20 de abril de 2011

à Ana del uruguay

Perseguição
ping-pong..............................ping-pong
e a bolinha era imortalizada nas páginas infinitas de ira do diário da menina.
Banheiro? não, quase nunca! apenas uma inconstância.

Santa Tereza, quem te viu, quem te vê!

Manoel Bandeira - Irene

Irene preta 
Irene boa 
Irene sempre de bom humor. 
Imagino Irene entrando no céu: 
— Licença, meu branco! 
E São Pedro bonachão: 
— Entra, Irene. Você não precisa pedir licença.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Meus olhos que miram o mundo,
São mirados por todos,
e por ninguém.
O mundo é ninguém.
Ou um só alguém.
Tem alguém aí?